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e-learning Marketing em 27 Mar 2009

Inovação, a melhor saída para a crise

Inovacao - Inovacao

26/03/2009 - 26 de Março de 2009 - Quanto tempo durará a crise financeira internacional? Essa é uma daquelas respostas que vale 1 milhão de dólares. Infelizmente ninguém sabe ao certo. Sabemos que será longa e que trará uma profunda reorganização da economia mundial. Para muitos, vamos sair da crise com o fim da recessão. Mas não é só disso que se trata.

Se olharmos para trás, vemos que a grande depressão foi longa. A definitiva recuperação americana só aconteceu após a entrada na guerra. Antes disso, os Estados Unidos retrocederam até 1933, recuperaram-se e voltaram a despencar em 1934 e 1937. Em termos reais, o Produto Interno Bruto (PIB) americano só voltaria ao patamar de 1929 em 1940. Mas uma nova ordem econômica global só se consolidou depois do conflito mundial.

Não creio que vamos repetir a tragédia da depressão dos anos 1930 porque aprendemos com aquela crise. Hoje, os governos estão tomando iniciativas que seriam inimagináveis na época e temos, por sorte, a herança keynesiana. Ela não resolve tudo, mas evita que fiquemos discutindo o “ponto de vista do Tesouro”, que tanto retardou uma retomada econômica naqueles tempos.

Apesar das lições do passado, algumas questões ainda nos desafiam: Quando chegará ao fim a chamada recessão técnica? Quando teremos uma nova ordem internacional? Que nova ordem será essa? Qual o papel das economias líderes no novo contexto?

É possível, se não tivermos outro tsunami como o do ano passado, uma recuperação em 2010. Será duradoura? Difícil antecipar. Mas não é difícil antever agora uma corrida pelo papel que as diversas economias terão no mundo próximo.

No discurso feito em fevereiro ao Congresso norte-americano, o presidente Barak Obama deu o tom do seu propósito ao mostrar um programa de recuperação econômica voltado para a retomada da liderança dos Estados Unidos no mundo. Como? Fazendo uma enorme aposta no desenvolvimento tecnológico e em inovação.

Ao lado disso, propôs um ambicioso programa educacional que recupere o terreno perdido frente aos demais países industrializados. A afirmação é clara: “Numa economia global, onde a mais valiosa qualificação que você pode vender é seu conhecimento, uma boa educação não é apenas uma oportunidade - é um pré-requisito”.

No outro extremo do planeta não é diferente. O primeiro ministro da China, Wan Gang, não por acaso ex-ministro de Ciência e Tecnologia, também afirma que a solução fundamental para a retomada da economia mundial recai em um conjunto de inovações tecnológicas disruptivas. Para ele, isso vai requerer a emergência de novas indústrias, a criação de novos mercados e a busca de novas forças que impulsionem o desenvolvimento econômico.

Em muitos países está evidente que, mais do que a recuperação do nível de atividade produtiva, é preciso olhar além do horizonte para ver o que vai acontecer no pós-crise. A agenda anticrise é também uma agenda de preparação para o futuro e intensa em inovação.

No Brasil, também é hora de olharmos à frente do nosso horizonte. O mundo emergirá diferente ao se recuperar do desastre. Haverá uma nova onda de fusões e aquisições. Novas empresas líderes em alguns mercados, novos produtos, novas fronteiras tecnológicas.

Sairá melhor quem estiver mais preparado. Quem tiver boas políticas. Nesse sentido, a crise financeira não pode nos levar a reduzir a ênfase que temos dado ao tema inovação. Mais: não podemos descuidar do apoio ao esforço privado de pesquisa e desenvolvimento.

Nós temos chances nesse mundo. Não são muitas, mas existem. Claramente temos potencial em energias renováveis, na produção de alimentos, em petróleo e gás. Em muitas manufaturas de médio e alto valor agregado somos competitivos e temos um mercado relevante. Isso vale para automóveis, tratores, máquinas agrícolas, em alguns segmentos de bens de capital, no setor aeronáutico e em software. Temos demanda doméstica para sustentar uma indústria química e farmacêutica relevantes.

Mas o futuro de tudo isso se decide agora. Não adianta apenas cuidar da macroeconomia de curto prazo. Ela é vital para assegurar o emprego e a renda. Mas como nos mostra o exemplo de fora, é preciso orientar nossa energia para sermos mais competitivos, mais inovadores. É isso que fará diferença.

kicker: É preciso olhar além do horizonte para discernir o que pode ocorrer no pós-crise

Fonte: Gazeta Mercantil

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