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26/03/2009 - Uma pesquisa recente do Ibope aponta que a educação é a sexta prioridade do brasileiro. O problema do ensino passa a ser cultural. Para alguns, comprar um carro é mais importante do que investir em ensino. Sem falar que o ensino público tem a fama de ser ruim – exceto o universitário. O brasileiro está correto nessa avaliação. Na pesquisa do Ibope, a falta de qualidade do ensino é criticada pelos entrevistados como um dos fatores que levam a educação a ficar longe do topo da lista.

Embora educação seja exigência básica para os melhores postos de trabalho – quase 100% de bons empregos tanto públicos quanto privados exigem ensino superior – a situação financeira de famílias de classe baixa e recém chegadas à média obrigam os jovens a abandonar o ensino e procurarem um emprego. Anos depois, esse mesmo jovem descobre que pode perder o emprego para uma pessoa mais qualificada.

Para dar um choque de educação, o governo precisa valorizar o professor. Sem isso, nenhum país conseguiu avançar. Exemplos? A Finlândia, que até o início dos anos 60 recebia ajuda do Unicef, hoje é um exemplo de país com tecnologia avançada.

Atualmente, quem freqüenta um curso de licenciatura – que dá direito a lecionar no ensino básico – se sente um discriminado. Muitos professores perguntam a esses alunos vão trabalhar em escolas públicas e a resposta é sempre a mesma. “Ia, né, mas com esse salário…”. E isso é no país inteiro, de ponta a ponta.

Em outras palavras, não adianta construir prédios novos, instalar computador, ar condicionado e outros equipamentos, se o professor que estiver lá para comandar a unidade educacional não for bem remunerado. Não estimular os bons profissionais a encarar o desafio é um dos grandes problemas da educação no Brasil.

E um choque na educação não pode ser dado a curto prazo. Passamos 16 anos com dois governantes ditos progressistas – Fernando Henrique e Lula – que não tiveram vontade política de por em prática uma ampla e irrestrita reforma educacional. Medidas como estas são a médio prazo. Efeitos não surgem antes de 10 anos.

É preciso agir com rapidez. O Brasil tem hoje apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos cursando o ensino superior. É um índice ridículo, quando comparado com Chile e Argentina, onde 40% dos jovens nessa faixa etária ingressam na universidade. Pior ainda é saber que a evasão no ensino médio (antigo segundo grau) é tão grande que até dispensa a ampliação de vagas no ensino superior. Será que um dia algum governante ao olhar para esses números vai tomar uma decisão política?

Fonte: Diário de Cuiabá